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Grito de Patrulha

Por paulo.cabello , 18 Janeiro 2018

Uma cronica do chefe Osvaldo Ferraz sobre o grito de patrulha.
Veja tmbém a coleção dos gritos de Patruhas Escoteiras.

Sorria você vai dar um gostoso Grito de Patrulha.

Vez ou outra nos passa despercebido à união, a força e o orgulho quando damos o Grito de Patrulha. Até hoje muitos param para ver o grito quando uma Patrulha se prepara. Dá para ver o espirito de Patrulha, o espírito escoteiro e a vibração quando todos seguram o bastão, elevado no ar o grito sai emocionante para alegria dos patrulheiros presentes. O Grito de Patrulha faz parte das grandes místicas e tradições no escotismo. Tem um simbolismo que encanta. Espero que nenhum “çabio” da Escoteiros do Brasil resolva cancelar em nome da modernidade.

Muitos dos nossos simbolismos, místicas e tradições estão desaparecendo. O grito é único. Cada um tem seu estilo, uma maneira de gritar, a entoação que dá uma marca própria à patrulha. Difícil esquecer o primeiro grito. Conheci patrulhas que deram seu grito em montanhas, vales, florestas inóspitas e me empolguei com uma que resolveu dar o grito dentro de uma jangada caindo em uma bela cascata de águas cristalinas e enfumaçadas.

Li um dia que um jovem pedia sugestões para o grito. Assustei. O Grito não é dele é de todos na patrulha. Todos têm direito a opinar quando a Patrulha é nova. Se não é o antigo não pode ser trocado. Por tradição deve permanecer para sempre. Gostar ou não gostar não dá direito a troca. O Grito não é dele, é de todos que passaram um dia por aquela Patrulha. O antigo escoteiro se lembra dele com orgulho e gosta de às vezes sozinho ou não lembrar gritando como nos velhos tempos. Afinal o grito surgiu pelas mãos de todos.

Outro dia um disse para mim: - Chefe eu dei um grito de patrulha naquele acampamento regional! Bacana – Bacana mesmo. Hoje não, os encontros nacionais e regionais na maioria das vezes são participantes individuais, patrulhas não vão mais unidas, não há grito a não ser se alguns se reúnem e resolvem fazer o seu. - Sabe Chefe aquele Jamboree na Inglaterra realizado no Olympia? Aquele bem no coração de Londres? Eram mais de 8.000 escoteiros de 34 países. Como deve ter sido fantástico quando todos deram seus gritos de Patrulha.

Dar um grito e não esquecer são coisas de escoteiros que vão guardando tudo no coração. Coração! Como cabe lembranças e coisas gostosas que acontecem com a gente. Eu conheci milhares de patrulhas. Adorava vê-las dar o grito, adorava ver o sorriso e sabia que o melhor sorriso era do novato, do noviço ou pata-tenra. Ele quando começa se sente mais um da turma. Ele acredita que seus sonhos de aventureiro estão prestes a começar.

Todos são responsáveis pelo grito. Tenha ou não participado de sua criação. O grito é eterno, constante, imortal, imutável e infinito. Não se muda. Ele não tem dono, pertence a todos que um dia estiveram na Patrulha e dele fizeram sua história. Olhe, já vi gritos de todos os tipos. Alguns eu dei risadas, outros me emocionei. Não importa a letra sua interpretação importa o orgulho em dizer. O Grito deve constar no Livro de Patrulha enquanto ela existir.

Uma vez em uma Indaba um Chefe contou em volta do fogo a volta ao seu grupo quarenta anos depois. Chefes! Ele disse: - Deu vontade de dizer para os mais novos onde tivemos o orgulho de dar o grito em nossas andanças, acampamentos atividades aventureiras. E que alegria. Com lágrimas nos olhos ele gritava com os mais novos com o sentimento no coração.

Soube uma vez que uma Patrulha ficou dois meses discutindo seu grito. Sempre empate na hora de escolher. O que fazer? O Conselho de Patrulha achou que o desempate deveria ser do primeiro lobo que passasse para a Tropa. Demorou mais dois meses. Enfim foi escolhido o grito: – Demais. Nem vou contar como era. Ele existe até hoje. Tem mais de quarenta anos de existência.

Os gritos de guerra surgiram há muitos séculos atrás. Foram criados para motivar pessoas ou soldados quando iam lutar em uma guerra. O mais conhecido é do povo Maori que até hoje é copiado por equipes de todos os tipos de esporte. Lembro-me um pouco dele: - Te Rauparaha Haka (trecho) Ka mate, ka mate! Ka ora, ka ora! Ka mate! ka mate! ka ora! ka ora! Tēnei te tangata pūhuruhuru Nāna nei i tiki mai whakawhiti te ra Ā, upane! ka upane! Ā, upane, ka upane, whiti te ra! Hi! - (É a morte! É a morte! É a vida! É a vida! É a morte! É a morte! É a vida! É a vida! Este é o homem cabeludo Que fez o sol brilhar de novo Juntos! Todos juntos para o topo! Juntos! Todos juntos para o topo, o sol brilha de novo! Sim!).

Se é bonito não sei. Só sei que o grito mais bonito é o da minha patrulha, da sua e a de todos nós! – Temos também os gritos de tropa, de alcateia e de grupo. Ouve um Distrito que criou o dele. O da UEB quase não é conhecido. Quem sabe ela mesma acha seu grito sem graça. (Arrê, Arrê, Arrê. (três vezes) – Pró Brasil? Maracatu!). Olhe, vibrei quando ele foi dado em um Acampamento Regional de Patrulha com mais de 800 participantes. Todos fazendo o gesto com o chapéu e os braços. Emocionante demais.

Contaram-me que existe uma Patrulha de Gilwell que estiveram lá por volta de 1956 e se encontram a cada dois anos para darem seus gritos e falarem dos velhos tempos. Um dos chefes ficou responsável pelo bastão e o totem. Não existem lugares para dar o grito. Grito é grito, seja em português, latim, francês, inglês, ou mesmo em linguagem galáctica ou em tupi-guarani. É uma tradição que se mantem para sempre. - Que as patrulhas gritem. Alto e em bom tom. Que mostrem a todos sua força, sua vontade seu orgulho em ser Escoteiro. Grito de Patrulha, quem já deu nunca mais vai esquecer! Ele é imortal!

Fonte: FanPage do Chefe Osvaldo Ferraz.
Página criada em 18/01/2018.

 

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